Il sommo poeta (o poeta supremo)!

Sobre Dante:

Dante é, segundo Boccaccio, uma figura “melancólica” e “meditativa”. A história de Dante é mais interessante através de suas obras.

A primeira obra atribuída a ele é Vida Nova, poema dedicado à Beatriz, o grande amor da vida dele. E é isso que destaca esta obra das demais: a homenagem a um grande amor não correspondido. Os estudiosos alegam que a admiração dele por uma única mulher é que, Beatriz, pode ser apenas um símbolo da pureza, entre outras explicações, digamos, corteses.

A grande obra de Dante, sem dúvida alguma é A Divina Comédia (“divina”, acrescentado por Boccaccio), que conta a jornada do próprio Dante por três reinos subterrâneos: inferno, purgatório e paraíso. Dante utiliza guias para passar por cada reino: no inferno e no purgatório, Virgílio (que é anterior ao Cristianismo, por isso fica no purgatório, sem entrar no paraíso) e, no paraíso, – surpresa – Beatriz, é quem o guia! Ela morreu jovem, com apenas 24 anos, e o lugar onde ela estaria, sem dúvida alguma, é o paraíso!

Além disso, ele faz críticas aos conflitos políticos que na época dividiam Florença e, também, um debate teológico sobre a natureza do pecado e os meios para a redenção. Mas o que mais chama a atenção nesta obra são as descrições desses três reinos, que são muito utilizados até hoje. Uma obra primorosa.

P.S.: Dante, Boccaccio e Petrarca são conhecidos como “as três fontes” da literatura italiana. E Dante é conhecido, também, por ser “pai da língua italiana”.

O poeta cego

Sobre Homero:

Homero nasceu, viveu e morreu na Grécia do período clássico (século VIII a.C.). Sua importância para o entendimento da Grécia pelas gerações seguintes é a grande questão de sua obra, a poesia épica da Ilíada e da Odisseia.

Para os antigos gregos, essas histórias, da Guerra de Troia até o retorno de Odisseu (ou Ulisses, na versão latina) para tentar restabelecer-se como rei de Ítaca, não eram historinhas contatas para as crianças, mas sim, História, com “H” maiúsculo.

A Ilíada era como a bíblia para os antigos gregos (apesar de a Teogonia, de Hesíodo, ser o equivalente ao “livro do Gênesis”, da bíblia, é mais recente que as obras homéricas), ela conta como era (ou deveria ser) a vida, o modo de viver e o relacionamento com os deuses, dos antigos gregos.

Já a Odisseia, é o relato de um drama humano que, sem dúvida alguma, é o precursor das grandes histórias da Literatura, tendo praticamente todos os principais elementos dignos dos romances modernos: fantasia, romance, drama familiar, aventura, descrições geográficas e geológicas. Enfim, uma grande obra.

Homero pode não ter sido cego como diz a lenda, ou pode nem ter escrito essas obras ou apenas ter repassado as histórias orais de sua civilização, mas, ainda assim, é o grande portal para toda a Literatura do mundo ocidental.

Comentário em “Borges y yo”

O conto Borges y Yo, de Jorge Luis Borges:

Al otro, a Borges, es a quien le ocurren las cosas. Yo camino por Buenos Aires y me demoro, acaso ya mecánicamente, para mirar el arco de un zaguán y la puerta cancel; de Borges tengo noticias por el correo y veo su nombre en una terna de profesores o en un diccionario biográfico. Me gustan los relojes de arena, los mapas, la tipografía del siglo XVII, las etimologías, el sabor del café y la prosa de Stevenson; el otro comparte esas preferencias, pero de un modo vanidoso que las convierte en atributos de un actor. Sería exagerado afirmar que nuestra relación es hostil; yo vivo, yo me dejo vivir para queBorges pueda tramar su literatura y esa literatura me justifica. Nada me cuesta confesar que ha logrado ciertas páginas válidas, pero esas páginas no me pueden salvar, quizá porque lo bueno ya no es de nadie, ni siquiera del otro, sino del lenguaje o la tradición. Por lo demás, yo estoy destinado a perderme, definitivamente, y sólo algún instante de mí podrá sobrevivir en el otro. Poco a poco voy cediéndole todo, aunque me consta su perversa costumbre de falsear y magnificar. Spinoza entendió que todas las cosas quieren perseverar en su ser; la piedra eternamente quiere ser piedra y el tigre un tigre. Yo he de quedar en Borges, no en mí (si es que alguien soy), pero me reconozco menos en sus libros que en muchos otros o que en el laborioso rasgueo de una guitarra. Hace años yo traté de librarme de él y pasé de las mitologías del arrabal a los juegos con el tiempo y con lo infinito, pero esos juegos son de Borgesahora y tendré que idear otras cosas. Así mi vida es una fuga y todo lo pierdo y todo es del olvido, o del otro. No sé cuál de los dos escribe esta página.

Comentários:

A meu ver e mesmo a mim, sinto-me na obrigação de dizer e exclamar, que por acaso, é como me sinto. Obviamente em relação à produção tanto acadêmica como, e principalmente, literária. Apesar de estar recém começando, vejo através de meus autores e obras favoritas que (quase) todos os grandes artistas e escritores, em qualquer época ou lugar, sentem que suas obras não são reflexos de si, mas de outro eu, que nem conhecemos direito. Ora esse “eu” pode ser reflexo de nossas capacidades e pensamentos, ora de uma paródia ou homenagem às influências e anti-influências, ou ainda, e talvez o maior “eu”, o de críticas e visões críticas à sociedade em que se está inserido.

A questão de se conhecer e reconhecer em outros livros e não nos próprios é a grã-questão das artes, não conheci um vivo ou clássico escritor que tenha, mesmo em sua magnum opus, a sua visão real e primorosa, de reconhecimento pessoal e indiscriminado, leia-se assim, seu conforto em relação à sua própria obra. Sempre o autor quer mais do que já tem, e acaba idolatrando outros autores, assim, moldando o seu próprio self.

Mas, como em O Médico e o Monstro, devemos aceitar-nos, mesmo que isso não seja aceitar apenas um, mas sim vários. Afinal, não há como fugir e assim, devemos “ficar em Borges”, até que a morte nos separe.

Assinado: Aquele que está escrevendo, seja lá quem eu sou.