Verão

Hoje começa o solstício de verão, a melhor das estações, a mais bela e, também, a mais redundante para o nosso país. Ao menos para a maior parte dele. Afinal, aqui no Sul, o verão é tão curto que mal dá para se acostumar. Três meses que passam rapidamente e, apesar do calor e de todo o clima das praias, de Floripa à “Maior do Mundo”, o Sul ainda é gelado, majoritariamente pela cultura local: as pessoas são mais ásperas e fechadas do que no resto do país.

Claro que o frio de rachar de nossos invernos contribui para isso, mas a cultura sul-brasileira vem sendo arrasada pelo seu fechamento ao mundo, depois de longos anos de abertura. Metade odeia o Brasil, a outra, a Argentina. Uma cultura em uma encruzilhada. Uma perda de identidade que se vê, dia após dia, ano após ano. Uma cultura criada há menos de cem anos e, mesmo assim, agindo com ares superiores do que outros muito mais antigas, mas não menos sujeitas à críticas, obviamente.

Entretanto, começou mais um verão e, aqui no Sul, é hora de igualarmos ao restante do país no calor, nos corpos, mas não mentalmente, pois “lá em cima é pior do que aqui em baixo”, mesmo que aqui embaixo seja o inferno, na pior das conotações da palavra. Seja verão ou inverno. Mas vamos para a praia, afinal, é verão e ele não dura nada.

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